sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Da lama ao lápis

"Como diria Chico Science e sua eterna inspiração

'Costumes é folclore', respeite a tradição

O seu recado foi deixado e muito bem ouvido

Mensageiro da verdade, sempre compreendido


O seu som combinava, a cidade e o amor

A guitarra detonava na base do tambor

Brasileiro e nordestino, a nossa etnia

Mestre criativo da afrociberdelia


O que passava na cabeça, de tal mente pensante?!

Não me atrevo a entendê-la, sou apenas um amante

Um estilo ele criou, com identidade nacional

Juntou a Nação Zumbi e fez algo original


Essa minha homenagem é quase uma obrigação

Te agradeço Chico Science, formador de opnião

Onde estiver, eu sei que vai gostar

Sou teu fã, eu te sigo, apenas ao escutar"

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Vida

Não sou criança, jovem, adulto ou velho

Eu sou uma alma que já viveu alguns anos

A cada hora que passa mais vida eu espero

Guardada na memória e matéria do ser humano


A vida não possui etapas, ela é crua

O eufemismo didático afasta o real

Mesmo em diferentes fases, só existe uma lua

E a sua identidade não mudará afinal


O seu jogo é efêmero e fugaz

A delicadeza do tempo só persiste no instante

É como um filme velho que sempre está em cartaz

Uma vanguarda viva de um passado distante


Gozo no corpo da juventude, mas minha nostalgia é rica

O passado conjuga-se no presente, ele vive

Faço da memória, uma companheira antiga

Tornando-me fruto do que era num eterno aclive


Em busca de certezas, minhas dúvidas inundam um mar

Sou um eterno refém da curiosidade

E o homem, sonha por acreditar

Que o espírito é imortal na suposta eternidade

Vieira Júnior

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Companhia

Não me deixe só solidão
Sem tua companhia não sei ficar a sós comigo
Eu sei que tu existes, me conforta a sensação
Me ensina a ser vital e de todos ser abrigo

Senta na minha cama e me instiga a pensar
Contigo eu fico natural, pra mim tu és um ente
Tu não passa de uma camaleoa ao se disfarçar
Em vários meios no qual é unipresente

O teu silêncio me convida para si
Será que tu ficas só quando não te percebem?
É fascinante a tua idéia de existir
Sem saber me casei contigo, e meus pensamentos te recebem
(Vieira Júnior)

Fôlego

Esse rebolado, que mexe com a alma
Qua deixa o homem frágil, que cria nova áurea
Que chama o estrangeiro, que não paga em dinheiro
Que é leve e ritmado, por ti que foi criado

Tu és a primeira, ó mulher brasileira
A mudar o mundo com teu corpo e conquistar teu posto
Da maneira mais natural, tornou-se vital
Pra quem ama aquilo que é mais sensual

Tuas pernas me fazem perder as minhas
Teus olhos me enchem de desejo
Se tu pedisse tudo aos teus pés, tu tinhas
Amiúde de emoção é o teu beijo

Tu és diferente, pois tu é real
Tu és simples, tu és viral
Que se espalha em partículas perfeitas
Em formas uma só feitas
(Vieira Júnior)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Meu mundo

Tenho certeza que o mundo é só meu
A tentativa de compreensão me leva ao egoísmo
Não é possível que todos tenham os seus
Creio ser o ator, e os outros coadjuvantes rotativos

Sinto-me vigiado enquanto a vida segue andando
Todas as frestas são lentes obsessivas
As pessoas, sei que estão contracenando
Num teatro de marionetes vivas

Qual o objetivo dos diretores dessa utopia?
Tenho medo da crítica vinda do reflexo
Até onde vai a naturalidade corrompida?
Me sinto como adão, tenho vergonha do meu sexo

A pior nudez vista é a da mente
A involuntariedade do pensamento me despe
Qual a dimensão desse olofote incandescente?
Sua direção, norte-sul, leste-oeste
(Vieira Júnior)

Atrasado

Ônibus, parada, paciência
O rosto angustiado olha o tempo
Tavez seja a pior das dependências
A imobilidade da ação nesse momento

Os transeuntes e carros me cansam a visão
Passos apressados e faróis incandescentes
Meus olhos curiosos observam com atenção
O cotidiano e seus cenários decadentes

Uma mulher descabelada, cachorros a ladrar
Homens bêbados em plena segunda-feira
A sensação de convívio começa a incomodar
O ônibus chega, sigo atrasado na minha cadeira
(Vieira Júnior)

Dúvidas

Será que palavras difíceis emocionam mais?!
Quem responde é o ego do poeta
Faço uso delas pensando ser o único capaz
Prefiro as curvas do que a linha reta

Me faço essa pergunta: O que eu sou?
Busco algum conceito, mas ele é vago e sem valor
A verdade é que nem sei pra onde vou
Na dúvida penso ser poeta ou um tipo de escritor

Será que o coração só tem espaço pro amor?!
Penso que o lirismo é a pura maquiagem do real
Mas como descrever a beleza de uma flor?!
Não devemos condenar o amante só por ser sentimental

Sou poeta ou só faço boas rimas?!
Onde conseguir a alma de tal entidade
Minhas dúvidas enfileiradas formam eternas filas
Em busca da minha indireta e desconhecida verdade
(Vieira Júnior)