segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Companhia

Não me deixe só solidão
Sem tua companhia não sei ficar a sós comigo
Eu sei que tu existes, me conforta a sensação
Me ensina a ser vital e de todos ser abrigo

Senta na minha cama e me instiga a pensar
Contigo eu fico natural, pra mim tu és um ente
Tu não passa de uma camaleoa ao se disfarçar
Em vários meios no qual é unipresente

O teu silêncio me convida para si
Será que tu ficas só quando não te percebem?
É fascinante a tua idéia de existir
Sem saber me casei contigo, e meus pensamentos te recebem
(Vieira Júnior)

Fôlego

Esse rebolado, que mexe com a alma
Qua deixa o homem frágil, que cria nova áurea
Que chama o estrangeiro, que não paga em dinheiro
Que é leve e ritmado, por ti que foi criado

Tu és a primeira, ó mulher brasileira
A mudar o mundo com teu corpo e conquistar teu posto
Da maneira mais natural, tornou-se vital
Pra quem ama aquilo que é mais sensual

Tuas pernas me fazem perder as minhas
Teus olhos me enchem de desejo
Se tu pedisse tudo aos teus pés, tu tinhas
Amiúde de emoção é o teu beijo

Tu és diferente, pois tu é real
Tu és simples, tu és viral
Que se espalha em partículas perfeitas
Em formas uma só feitas
(Vieira Júnior)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Meu mundo

Tenho certeza que o mundo é só meu
A tentativa de compreensão me leva ao egoísmo
Não é possível que todos tenham os seus
Creio ser o ator, e os outros coadjuvantes rotativos

Sinto-me vigiado enquanto a vida segue andando
Todas as frestas são lentes obsessivas
As pessoas, sei que estão contracenando
Num teatro de marionetes vivas

Qual o objetivo dos diretores dessa utopia?
Tenho medo da crítica vinda do reflexo
Até onde vai a naturalidade corrompida?
Me sinto como adão, tenho vergonha do meu sexo

A pior nudez vista é a da mente
A involuntariedade do pensamento me despe
Qual a dimensão desse olofote incandescente?
Sua direção, norte-sul, leste-oeste
(Vieira Júnior)

Atrasado

Ônibus, parada, paciência
O rosto angustiado olha o tempo
Tavez seja a pior das dependências
A imobilidade da ação nesse momento

Os transeuntes e carros me cansam a visão
Passos apressados e faróis incandescentes
Meus olhos curiosos observam com atenção
O cotidiano e seus cenários decadentes

Uma mulher descabelada, cachorros a ladrar
Homens bêbados em plena segunda-feira
A sensação de convívio começa a incomodar
O ônibus chega, sigo atrasado na minha cadeira
(Vieira Júnior)

Dúvidas

Será que palavras difíceis emocionam mais?!
Quem responde é o ego do poeta
Faço uso delas pensando ser o único capaz
Prefiro as curvas do que a linha reta

Me faço essa pergunta: O que eu sou?
Busco algum conceito, mas ele é vago e sem valor
A verdade é que nem sei pra onde vou
Na dúvida penso ser poeta ou um tipo de escritor

Será que o coração só tem espaço pro amor?!
Penso que o lirismo é a pura maquiagem do real
Mas como descrever a beleza de uma flor?!
Não devemos condenar o amante só por ser sentimental

Sou poeta ou só faço boas rimas?!
Onde conseguir a alma de tal entidade
Minhas dúvidas enfileiradas formam eternas filas
Em busca da minha indireta e desconhecida verdade
(Vieira Júnior)

Sertão e Asfalto

Sou filho do Nordeste e da cidade
A beleza da minha terra vai além
Trânsito, praias e o sol que arde
Cultura e história de gente que foi alguém

Recursos escassos e distantes
Pobreza e riqueza no mesmo plano
O povo, mais sofridos que amantes
Se segurando na fé, na chuva, no santo

O telurismo persegue o que vai
A esperança conforta o que fica
Ele chora, a saudade não sai
Ele também chora, mas da persistência faz sua vida

Seu destino está selado
Mesmo sabendo, faz da luta sua sina
No sertão ou no calor do asfalto
Ele é nordestino, respira e não desanima
(Vieira Júnior)

Sono

Olhos pesados, visão deformada
Pálpebras fracas e irresistentes
Boca contida e escancarada
Momento de pausa de todas as mentes

Com o meu sono eu gostaria de conversar
Mas meu corpo padece, e eu não consigo
A minha alma o ver, no ato de sonhar
Por isso só tenho lembranças, desse velho amigo

Serás tu, vigilante e cúmplice da morte?!
Pois tu oferece morada para a partida
Ou tu és apenas sinônimo de saúde e sorte?
Trazendo as pessoas uma passagem tranquila
(Vieira Júnior)

Escuro

O pior tédio é a obrigação
A necessidade me faz refém do momento
A fuga literária me esconde da razão
Nesse instante eu vivo o que contemplo

A poesia chegou na minha vida
E me fez curioso pela arte
Gerou a icógnita se sou artista
Ou se desse delírio não faço parte

Tenho medo de escrever apenas rimas
Muitas vezes indagei o que faço
Minha ansia de ser virou uma sina
Mesmo no escuro, me aproximo a cada passo
(Vieira Júnior)

Espelho Distorcido

Eu busco sempre inquetamente
Ao sentar e parar pra escrever
A inspiração que expande a minha mente
E que a cada dia me faz crescer

Não é tão simples guiar
A imaginação e a caneta
A diferença está em pensar
E usar do cérebro suas múltiplas facetas

Tem gente que não reconhece
Da sua sensibilidade questiona
Mas a gente que sente esquece
E se engrandece quando alguém se emociona

Não tenho objetivo, rumo ou meta
Meu talento é um processo natural
Sou poeta torto, não respeito a métrica
Meu nome ainda é oco, mas já tenho a digital
(Vieira Júnior)