quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Vida

Não sou criança, jovem, adulto ou velho

Eu sou uma alma que já viveu alguns anos

A cada hora que passa mais vida eu espero

Guardada na memória e matéria do ser humano


A vida não possui etapas, ela é crua

O eufemismo didático afasta o real

Mesmo em diferentes fases, só existe uma lua

E a sua identidade não mudará afinal


O seu jogo é efêmero e fugaz

A delicadeza do tempo só persiste no instante

É como um filme velho que sempre está em cartaz

Uma vanguarda viva de um passado distante


Gozo no corpo da juventude, mas minha nostalgia é rica

O passado conjuga-se no presente, ele vive

Faço da memória, uma companheira antiga

Tornando-me fruto do que era num eterno aclive


Em busca de certezas, minhas dúvidas inundam um mar

Sou um eterno refém da curiosidade

E o homem, sonha por acreditar

Que o espírito é imortal na suposta eternidade

Vieira Júnior